Casadinhos

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

"Acho bonito gente que usa cinto de segurança, gente que desliga o celular no cinema, gente que respeita o espaço alheio. Acho sexy mulher que ganha seu próprio dinheiro, admiro homem que trabalha duro, que estaciona o carro, mesmo longe, pra pegar os filhos na escola. Tenho quase tesão por gente que cobra nota fiscal na loja, por gente que pede desculpas no trânsito, por gente que dá bom dia pro porteiro. Chego a esboçar leves sorrisos quando vejo alguém ajudando os outros, devolvendo o que não é seu, tratando chefes sem bajulação, apagando o cigarro na presença de crianças.

Minha rejeição não é ao pecado, mas ao pecador. Não sou Deus, tenho a liberdade de ser e fazer o contrário dEle. Ele ama o pecador, não o pecado. Eu sou o inverso. Aceito o pecado, mas detesto o pecador. Detesto quem rouba, quem xinga, quem falta com o respeito. Acho brega gente que mente, acho cafona e subdesenvolvida gente que puxa saco, gente que desvia dinheiro público, gente que recebe sem trabalhar, gente que maltrata bichos, gente que emprega parente, gente que anda pelo acostamento e gente que fura fila. Pra mim, falar alto ao telefone num restaurante é tão deseducado quanto arrotar em frente à rainha. Pra mim, receber troco a mais e não dizer nada é o mesmo que soltar um sonoro flato num elevador lotado. Pra mim, estacionar em vaga de deficiente no shopping é o mesmo que limpar meleca debaixo da mesa do escritório: espírito de porco.

Sim, porque no fim meus princípios agem mais como receptores do que como transmissores. Sinto atração por gente simpática, por gente honesta, por gente elegante. Por isso e por um punhado de outras coisas tenho poucos e valiosos amigos, gente que tem endereço fixo, conta bancária modesta, ficha limpa na polícia, crédito livre na taberna.

Não há nada mais atraente do que gente humilde, gente honesta, gente trabalhadora, gente educada, gente asseada, gente elegante, gente bacana.

Que me perdoem os mentirosos e os espíritos de porco.

Honestidade é fundamental."

Por Ismael Benigno

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